Quando éramos crianças havia todo o tipo de desenhos animados e séries dos quais éramos espectadores, e que hoje em dia nos transmite uma enorme nostalgia dos nossos tempos de pequeno. Uma das séries que também teve grande sucesso em Portugal, foi sem dúvida os
Power Rangers. A série dos cinco e por vezes seis heróis que faziam de tudo para salvar o nosso planeta dos planos malvados dos antagonistas de outros planetas. Com o enorme sucesso que teve, já era de esperar que surgissem videojogos sobre a série, algo que aconteceu com muita frequência durante os anos, e de acordo com as séries que foram criadas, desde
Mighty Morphin, até ao mais recente,
Power Rangers Samurai.
Esta última série estreou-se no início do ano passado em vários países - com excepção a Portugal - e com esta estreia, foi também lançado uma versão videojogo ao estilo
hack n slash, para a plataforma caseira da
Nintendo, a
Wii. Um jogo que reproduz a magia da série televisiva para uma consola, mas a pergunta fica, será que é uma reprodução fiel e com qualidade? Fiquem então com a restante análise.
Neste jogo vamos conhecer em primeira mão a luta dos
Power Rangers contra o
Master Xandred e os seus soldados, os
Nighlok, que querem inundar todo o planeta com as águas do rio
Sanzu. Em cada capítulo vamos ter um pequeno enredo da vida entre os rangers, e os seus problemas que atravessam pelo dia-a-dia, sendo que cada um destes capítulos irá retratar o problema de cada um deles. Normalmente estes pequenos dramas são transpostos para o capítulo na sua totalidade, onde este ranger, com o auxílio dos seus colegas rangers, irá supera-lo, algo semelhante ao que podemos encontrar num típico episódio dos
Power Rangers. Mas o problema começa quando vemos que toda esta história contada, é feita a partir de simples textos de diálogo e actuações voz, onde algumas destas que estão com uma qualidade muito má, não havendo nenhuma cut-scene para nos mostrar o que está a acontecer. Por isso, alguns combates que se desenrolam, irão possuir as simples linhas de texto: “
Ahhhhh!”, “
Ugaaaaaaaaaaa!”, ou algo dentro desse género, com imagens estáticas no fundo. Antes de passarmos à acção com a nossa personagem, é nos mostrado antes um clip da série televisiva, onde os rangers fazem as suas típicas poses de combate. Seja de frisar que é o clip é sempre o mesmo antes de cada capítulo.
A partir do momento em que começamos a jogá-lo, deparamo-nos com uma enormidade de problemas, que começam pelo grafismo incrivelmente datado, até à jogabilidade incrivelmente básica, mas vamos por partes. Para controlarmos o
Power Ranger da nossa escolha, vamos usar o
Wii Remote e o
Nunchuk, onde com o esse
Nunchuk iremos movimentá-lo, defender e saltar, e com o
Wii Remote vamos executar um ataque forte ou fraco, bem como um ataque especial que incorpora todos os outros
Power Rangers. Vamos conseguir fazer combos básicos com a nossa personagem, em que poderão incorporar ataques fortes e fracos, ou então saltar e atacar pelo ar, mais nada. Não existe muito mais que possamos fazer para atacar, e iremos ficar a lutar desta maneira, sem aprender e incorporar novos ataques até ao final do jogo. Os combos estão mal trabalhados, porque se começarmos uma rede de ataques numa certa direcção, não podemos altera-la a não ser que interrompamos ou acabemos o combo, dando oportunidade aos inimigos de nos atacarem, de uma maneira injusta. Quando combatemos contra os inimigos, vemos uma mecânica excessivamente básica, onde a falta de um sistema de lock-on nos inimigos faz com que ataquemos o ar muitas das vezes.
Os tipos de inimigos que existem no jogo contam-se pelos dedos de uma mão, e a sua inteligência artificial faz-nos questionar se a parede de contraplacado que temos em nossa casa não seria um melhor adversário. Quando não nos atacam, ficam a olhar para o ar completamente estáticos, e quando não fazem uma destas acções, correm contra nós, ou contra uma parede incessantemente. Já os bosses do final de cada nível possuem estilos de combate muito semelhantes, e são extremamente fáceis se os atacarmos com ataques fortes, onde apenas um ou outro oferecem alguma resistência. Ao derrotarmos cada boss, tal como os episódios televisivos, eles ganham uma forma gigante, onde em seguida, os rangers juntam os seus veículos bélicos de nome
Zords para formar um robot gigante de nome
MegaZord. Ao contrário do que podemos esperar, combates com o
MegaZord baseia-se em simples
quick-time events, onde precisamos de abanar o
Wii Remote ou o
Nunchuk na altura certa para atacar ou defender. Algo que se torna enfadonho visto que todos estes combates são assim.
Já o número de cenários incluídos no jogo também deixam muito desejar, isto porque também se contam pelos dedos de uma só mão, e o detalhe dado ao jogo, é desastroso para não dizer pior. Durante todo o jogo, vamos conhecer quatro cenários, um no parque, outro num edifício em construção, outro numa floresta e um último na praia. Existem cerca de duas vertentes de cada cenário, onde ambas versões de todos os cenários, são incrivelmente curtas, e desinteressantes. Para acabar cada cenário que nos é imposto, sem contar com o combate de bosses, vamos perder cerca de
3 a 4 minutos do nosso tempo para percorrer o cenário na íntegra, e se tivermos em conta que iremos repetir o cenário mais 3 ou 4 vezes durante o jogo, verifica-se um trabalho muito preguiçoso. Nos cenários existem também zonas seladas especiais que só podem ser desbloqueadas ao usarmos o ataque forte de uma das personagens, bem como power-ups no chão. Estes power-ups vão aumentar-nos a vida, dar velocidade ou até teleportar-nos para outra localização. Em certas zonas do cenário, os inimigos irão cercar-nos com uma muralha de força, que só será desbloqueada se conseguirmos derrotá-los todos.
A apresentação é outro parâmetro que se mostra incrivelmente fraco, onde todo o seu conteúdo se mostra com uma qualidade muito abaixo da média. À primeira vista, e isto fora de ironias, o grafismo faz lembrar o expoente máximo da
PSOne. De acordo com os padrões de grafismo da
Wii, os cenários deste jogo são muito pobres em detalhe e com uma dimensão muito pequena. As personagens também são fracas em detalhe e em variedade de movimentos, em especial as que se transformam em gigante, e é inadmissível que um jogo com a marca oficial, tenha tão poucas cut-scenes da série televisiva, nem que fossem
CG mesmo criadas para o propósito do jogo. A sonoplastia é uma mistura entre mediocridade e fraco desempenho, onde as músicas de ambiente com alguma guitarrada, não são suficientes para salvar este jogo, e a representação vocal de alguns diálogos é por vezes cómica.
Que mais há a dizer?
Power Rangers Samurai para a
Wii é daquele tipo de jogos que os jogadores odeiam, onde se tenta fazer algum dinheiro com uma marca, numa experiência videojogável feita às “três pancadas”. Não conseguiram fazer um bom jogo da série porque não quiseram, e podiam muito bem pegar em bons jogos como exemplo para pelo menos fazer um jogo sólido, como
Teenage Mutant Ninja Turtles 4: Turtles in Time ou até o mais recente
Batman: Arkham City. Este é sem dúvida um dos piores jogos do ano, no qual aconselho que evitem-no a todo o custo.