Lembro-me perfeitamente do dia em que me ofereceram o
Game Boy original. Para mim, a possibilidade de jogar um jogo em qualquer lugar era para mim quase como a invenção da pólvora, mesmo que o ecrã da consola fosse a preto e branco esverdeado e o seu volume fosse tudo menos portátil.
Quando fui convidado para fazer o meu primeiro
Hands-On com a
PS Vita, já sabia que a consola tinha capacidade para surpreender, mas foi depois de a ter nas mãos durante uns bons minutos e de jogar alguns dos jogos disponíveis que deu para ver que a evolução sofrida durante estes anos foi colossal.
A experiência com a
PS Vita foi algo de muito directo e sem grandes barreiras. Tive a total liberdade de utilização da consola, sem quaisquer cabos, alarmes ou fitas de segurança, o que me permitiu poder observar a consola de vários ângulos e jogar sem constrangimentos.
Ao contrário do que estava à espera, o design da
PS Vita é mais sóbrio do que a consola anterior. No painel frontal, só apenas os botões e os dois analógicos é que atingem algum relevo, sendo que todo o ecrã assim como o redor do painel frontal é totalmente plano. O ecrã é bem maior que o da
PSP original e é também notoriamente mais resistente, além de que, mesmo sendo um ecrã táctil, as dedadas notam-se muito pouco e só surgem com algum tempo de jogo.
Apesar de não ser ainda um interface final, o Menu da
PS Vita pareceu-me bem organizado e a navegação é bastante prática e intuitiva, tirando o melhor partido da moda actual dos ecrãs tácteis. Existem vários menus para percorrer ao estilo do
XMB, onde cada ecrã representa os jogos, os filmes, as músicas etc.
Mas vamos então falar dos jogos, o grande prato do dia de teste.
Para começar, não pude dizer que não a experimentar o novo
Uncharted Golden Abyss, a nova aventura de
Drake, um dos jogos que oferece um bom exemplo das capacidades tácteis do ecrã. Os segmentos de escalada, tal como foi visto nas apresentações da consola, podem ser feitos tanto através da utilização dos comandos normais da consola, como do ecrã táctil, sendo possível desenhar o percurso das plataformas com o dedo de forma a fazer
Drake escalar nessa direcção. Para mim, pareceu algo demasiado mecanizado e pouco "interactivo", mas certamente vai agradar aos jogadores mais casuais e é mais uma forma de abordar a jogabilidade.
No que respeita à jodabilidade, jogar com os dois analógicos na
PS Vita parece altamente natural, e isso foi ainda mais visível em
Resistance Burning Skies, o primeiro impacto com um
FPS puro e duro nesta plataforma, que até se safou de uma forma bastante positiva, posso dizer que não ficou muito longe da experiência oferecida com um comando tradicional, com a mais-valia de ser possível utilizar o ecrã táctil para realizar várias tarefas, como atirar granadas ou atacar as
Quimeras com o machado de incêndio.
Depois destes pesos pesados ainda tive tempo para experimentar jogar
Virtua Tennis 4 com o ecrã táctil, o que se revelou uma verdadeira confusão a início, mas algo que passa com algumas horas de prática, embora possa sempre ser jogado com os comandos normais para uma experiência ao estilo da nova geração.
Por fim,
Super Stardust foi a última experiência, que mostrou mais uma vez que o segundo analógico faz muita falta e que certos jogos ficam bem melhor quando jogados como foram originalmente idealizados.
Não há dúvida que a
PS Vita é realmente uma consola portátil com muito para dar. A
Sony parece ter ouvido os jogadores e esforçou-se por dar tudo aquilo que os utilizadores pediram após o lançamento da
PSP. Aliás, nos primeiros minutos de jogo, esquecia-me até de usar o analógico devido ao design da consola lembrar a
PSP.
A versão do software da
PS Vita que tive oportunidade de explorar também era ainda bastante embrionária e precisa ainda de muito trabalho, mas não há dúvida que para uma versão primária, os jogos que vi a correr na consola já estavam com uma qualidade visual ao nível dos jogos mais básicos da
PS3, o que é uma vitória para uma consola portátil.
Caso queiram ficar a conhecer todas as novidades sobre a
PS Vita e em Português, a
Sony Portugal já activou os registos do Vita World, um programa de
Newsletter através do site da
Playstation, que além de vos por a par de todas as novidades, ainda vai seleccionar alguns fãs para testar a
PS Vita antes do tempo.
A
PS Vita vai chegar a Portugal no dia 22 de Fevereiro em duas versões, a normal por perto dos 250 euros e a
3G por cerca de 300 euros, e depois desta primeira experiência, parece que a
Sony não exagerou no preço, tendo em conta a qualidade gráfica e de jogabilidade que a consola oferece, não ficando muito longe das consolas de nova geração nos dois parâmetros.
Resta esperar pela versão final da consola para saber se a Sony teve aqui também um toque de midas.