Desde que a compraram que os proprietários da PlayStation 3 esperam por um jogo que os faça regozijar em pleno. Quase que era com Heavenly Sword, faltou pouco para ser com Warhawk, e foi por um triz que não foi com o aclamado Resistance. Agora, as esperanças estão apontadas para Folklore, o novo jogo da Game Republic.
O destino tem uns caminhos interessantes. De uma pitoresca vila, perdida na Irlanda e achada no nome de Doolin, é enviada uma carta a Ellen, uma rapariga jovem que perdeu a sua mãe há vários anos. Ao mesmo tempo, noutra parte do mundo, Keats, editor da revista oculta Unknown Realms, recebe um telefonema a reportar acontecimentos paranormais.
Nas linhas mais travessas das suas vidas, ambos têm que rumar a Doolin, embebidos na possibilidade de alcançar os seus objectivos, os dois tão perto do mesmo lugar comum. E apesar de Ellen estar à procura da sua mãe falecida e de Keats estar à procura de um fenómeno paranormal, cedo se percebe que as tais particularidades interessantes do destino vão fazer com que as duas personagens se unam.
Aliás, melhor do que isso, Folklore dá-nos a oportunidade de jogar com ambos. No início de cada capítulo é-vos sempre dada a hipótese de trocarem de personagem. Conforme a narrativa se adensa, conforme vão ficando presos à estória, vão percebendo que Doolin não é mais do que a passagem para o Netherworld, uma área que vive das memórias dos mortos, e vão-se cansando de palmilhar os mesmos caminhos duas vezes.
Inicialmente, é apelativo ver como as duas estórias se vão cruzando. Através dos olhos de Keats perceber o que é que mudou desde a nossa passagem com Ellen, contudo, a narrativa não se consegue manter apelativa durante todo o jogo, pois nota-se que houve uma quebra na escrita, e a complexidade que nos seduziu inicialmente prova ser mais do que aquilo que os argumentistas conseguem explicar, deixando muitas pontas soltas, muitos apêndices por explicar.
A verdade é que toda a maneira como a estória é contada através de onomatopeias não ajuda minimamente à explicação lógica dos eventos. Em vez de optarem pelo vídeo, os produtores de Folklore resolveram explicar-nos a estória como se de banda desenhada se tratasse. O que só por si não era agradável, torna-se quase funesto quando damos conta da ausência de vocalização.
Só muito esporadicamente é que Folklore recorre aos vídeos para explicar de onde vimos e para onde vamos. Bem encenados, bem vocalizados, só provaram que o jogo só tinha beneficiado com esta implementação durante toda a aventura. Até porque existem cenas com uma carga emocional tão vincada, que é impossível passar esse sentimento para o jogador recorrendo a caixas de texto.
Netherworld assume-se como um local bizarro, um devaneio criativo que se assemelha a um universo arquitectado por um Willy Wonka amargurado. Grande parte das decisões e revelações de monta são feitas neste mundo paralelo e é óbvio que vão ter de derrotar as criaturas que não estão de acordo com a vossa presença. Apesar de existirem várias raças de criaturas, todas elas tem um nome homónimo ao jogo, com as excepções a serem os bosses, estes designados de Folks.