Com cerca de cinco anos de produção, e com um legado por manter e um género inteiro para defender,
Final Fantasy XIII é um dos jogos mais aguardados dos últimos tempos. A aproximação do seu lançamento foi marcada por uma perda de exclusividade da
PS3, fazendo aparecer pela segunda vez um
Final Fantasy numeral na
Xbox 360, assim como as picardias já clássicas entre os fanboys de cada consola, relativamente a gráficos e à questão dos multi-DVD. No entanto, a prova de fogo de
Final Fantasy XIII veio de um rival inesperado criado pela Bioware - o
RPG de acção
Mass Effect 2, que conseguiu abrir o ano em grande e elevar os
RPG’s ocidentais a novos patamares.
A vida não parece fácil para
Final Fantasy XIII, mas a verdade é que a chegada da série à nova geração é sem dúvida um passo importante e mais um marco na indústria dos videojogos, por ser uma franchise que explora os novos horizontes dos videojogos, tanto a nível visual como a nível de enredo, e que prende o jogador até ao fim da história. Será que a tradição se mantém com
Final Fantasy XIII?
Final Fantasy XIII conta a história de várias personagens, todas vítimas da mesma infelicidade de estarem no sítio errado à hora
errada. Com o aparecimento do fal'cie de
Pulse, uma espécie de deus criador entre vários deste mundo, Serah, a irmã de
Lightning (personagem principal) e esposa de
Snow, o chefe da resistência de
Coocon, é transformada num
l'cie, ou seja, uma escolhida para levar a cabo uma tarefa a mandado do
fal'cie, a qual tem de ser concluída,
sob o risco de transformar
Serah num monstro caso esta acabe por falhar.
Com o avanço dos acontecimentos,
Lightning acaba por se juntar a
Sazh, um oficial com uma afro de respeito onde vive um
chocobo bebé, e mais tarde a
Snow,
Vanille, uma rapariga despreocupada de cabelos ruivos, e
Hope, uma criança cega de vingança contra
Snow. Todos estes acabam por descobrir
Serah, apenas para a ver transformar-se em cristal e para serem todos transformados em l'cie, com uma missão por fazer não
especificada.
Apesar do início algo abrupto e confuso de
Final Fantasy XIII, a história vai sendo revelada a pouco e pouco, dando mais detalhes sobre os acontecimentos que levam até à aventura principal. Para além disso, todas as personagens têm muito para explicar e contar umas às outras, de forma a ajudar a perceber os seus motivos e objectivos para continuar a lutar.
Algo que notei, à medida que a história avança, é que estas são muito certamente as personagens mais credíveis de toda a série. Lightning é provavelmente a melhor personagem principal de toda a saga numeral, sendo carismática, determinada e quase sempre absorta nos seus problemas, que não passam por salvar o mundo, mas sim destruir a ameaça. Mas não é só em
Lightning que reside o núcleo de
Final Fantasy XIII, visto que todas personagens restantes são poços de carisma e profundidade psicológica, desde a máscara feliz de
Vanille até à atitude desesperada de
Snow de querer resgatar a sua amada. Com algumas horas de jogo, até
Hope, para mim a personagem, mais fraca e desinteressante do jogo, já tinha dado ar da sua graça e notava-se que este estava claramente a evoluir e ganhar uma personalidade mais interessante. Falta ainda mencionar
Fang, a última personagem da equipa, mas esta deixo para vocês conhecerem melhor.
Algo que também ajuda à progressão do enredo e à compreensão da história que cada personagem tem para contar é a separação constante que os heróis sofrem à medida que o jogo avança, pelo menos durante as primeiras horas. As equipas de personagens vão variando sistematicamente e isso faz com que as opiniões ou amizades se vão moldando, o que também ajuda o jogador a identificar-se cada vez mais com cada um dos heróis. Uma opção bem tomada e que ajuda a conferir ainda mais profundidade à história e aos protagonistas.
Jogar
Final Fantasy XIII no terreno de combate é, em si, uma experiência muito similar ao que acontecia nos anteriores, com especial referência a
Final Fantasy XII.
Aqui, os cenários são construídos quase como corredores que precisam de ser passados para chegar à próxima área. A câmara é totalmente 3D e podem rodá-la em torno da vossa personagem, para explorar os cenários por globos com itens, alavancas, NPC's e, claro, os já recorrentes inimigos.
Por vezes, o jogo apresenta-nos diferentes actividades para fazer enquanto exploramos os cenários, servindo de exemplo o momento em que
Hope sobe a bordo de uma máquina de Pulse e onde podemos controlar a mesma durante alguns momentos, batendo em tudo o que é inimigo e destruindo barreiras que aparecem pelo caminho. É apenas um exemplo de alguns momentos com os quais se vão deparar e que ajudam a dar um pouco mais de variedade.
Tal como sucedia em
Final Fantasy XII, também
Final Fantasy XIII mostra os inimigos nos cenários, mas agora, em vez de iniciar o combate directamente na área de exploração, dá-se uma transição à moda antiga para uma arena de combate própria, fazendo voltar os combates por turnos. A forma como atacam o grupo de inimigos vai influenciar o início do combate; se o inimigo estiver consciente da vossa presença, o combate inicia normalmente, mas se conseguirem apanhar o grupo distraído, ganham o direito a iniciar o combate em vantagem, com a barra de
Stagger dos inimigos quase cheia. Mas o que é o
Stagger? Para explicar isto, é melhor começar por explicar como funciona o novo sistema de combate.
Quando entram em contacto com um inimigo e o combate inicia, as vossas personagens são colocadas numa zona própria. Ao contrário de outros
Final Fantasy, em
Final Fantasy XIII só controlam directamente uma personagem principal, que funciona como líder, sendo todas as outras controladas pela inteligência artificial ou então pelos comandos rápidos que colocamos através do novo sistema
Paradigm Shift. Com este sistema podem alterar a prioridade de acções de cada personagem, obrigando-os a curar, colocar efeitos negativos no inimigo ou benefícios na equipa, infligir dano directo, entre outras coisas que podem aumentar consoante a aventura avança.
Para tomar uma acção de combate, e caso não tenham apanhado os inimigos desprevenidos, precisam de guiar-se pela ATB, que regressa de outros
Final Fantasy. Em
Final Fantasy XIII, esta barra de tempo pode estar dividida em vários segmentos, consoante a evolução da vossa personagem, e quanto maior esta for, mais ataques ou ordens podem colocar para encadear acções. É necessário dizer que cada classe activada no
Paradigm Shift altera os ataques, por isso, e caso mudem de Paradigm, também as vossas acções mudam, bloqueando as de outras classes. Outra adição bem-vinda é o ataque automático, que faz a personagem escolher a melhor combinação de habilidades para usar autonomamente, o que poupa trabalho em combates mais simples ou inimigos mais fracos.
Normalmente, tanto as personagens como os monstros vão deambulando pelo cenário à medida que tomam as suas acções, mas isto não funciona apenas para tornar tudo mais dinâmico; existem várias magias ou habilidades que atacam toda uma área, logo, todos os inimigos que estão dentro da mesma sofrem dano. Isto ajuda claramente a usar um pouco mais de estratégia e esperar pela altura ideal para usar a habilidade certa, o que, aliado à ameaça que cada inimigo constitui e à sua barra de
Stagger, confere uma maior estratégia e profundidade à mecânica de jogo.
Voltando então ao
Stagger, esta nova barra funciona como um medidor de fraqueza/medo nos inimigos. Quanto mais baterem num adversário, mais cheia fica a barra, e assim que esta chega ao limite, o inimigo entra em estado de pânico, atacando menos frequentemente e levando muito mais dano. Quanto mais atacarem durante este estado, mais o multiplicador sobe, e o dano que cada golpe inflige vai aumentando significativamente, oferecendo vitórias mais fáceis, algo essencial contra os muitos bosses que encontram pelo caminho e que exigem estratégias ainda mais elaboradas.
Mas
Final Fantasy XIII não seria um membro digno da série se não tivesse acesso a qualquer tipo de criatura invocável. Aqui, os Summons são conhecidos por Eidolons e podem ser invocados em combate usando TP, ou
Tactical Points. Se tiverem um número suficiente de pontos, podem invocar o vosso
Eidolon para ajudar em combate durante algum tempo, fazendo as restantes personagens desaparecer. Enquanto em estado normal, há que tentar ao máximo infligir dano para aumentar a barra de
Gestalt, pois quanto mais cheia esta estiver, mais tempo podem ter o vosso
Eidolon activo durante o seu estado
Gestalt, uma transformação que coloca a personagem em controlo e permite atacar, realizando combinações de botões até o tempo útil acabar e este desaparecer da arena. Os
Eidolons são sem dúvida uma mais-valia no combate e, quando bem utilizados, podem mudar o rumo da batalha.
Quando a luta chega ao fim, é mostrado o ecrã de resultado que avalia a vossa prestação por tempo, dano causado, pontos de prestação em combate, e as estrelas que classificam a vossa eficácia, de 1 a 5; quanto mais alto for o vosso ranking, mais percentagem de TP recebem de
volta para utilizar em combate. A vossa vida é totalmente restaurada e ganham uma quantia de
Crystogen Points, a moeda de troca para o
Crystarium System, isto é, o sistema de
Final Fantasy XIII onde fazem evoluir a vossa personagem.
A início, o
Crystarium System pode parecer algo confuso ou até mesmo demasiado directo, sem grande escolha na direcção, mas à medida que desbloquearem mais classes e mais patamares de
Crystarium, vão perder-se facilmente na quantidade abismal de módulos que podem comprar, sejam eles de vida, ataque, magia, habilidade, slots para equipar items e por aí em diante. Cada classe tem as suas habilidades e especialidades, mas vão certamente sentir-se tentados a desbloquear todos os slots para tornar a vossa personagem o mais forte possível. Uma boa novidade é ver que mesmo que as outras personagens não participem no combate, os seus CP também aumentam e podem ser gastos assim que temos acesso à personagem, não tornando nenhuma delas obsoletas com o passar do tempo.
Em
Final Fantasy XIII continua a ser possível equipar a vossa personagem com armas e armaduras que podem até conferir algumas habilidades extra além do simples ataque ou defesa. As lojas podem ser acedidas através dos save-points e é também aqui que podem fazer melhoramentos aos vossos items, utilizando os despojos
caídos dos inimigos derrotados. Não é um sistema tão profundo como outros
RPG, mas ainda oferece hipóteses bastante viciantes para qualquer jogador.
Algo que muitos de vocês devem querer saber por esta altura é se a componente visual de
Final Fantasy XIII é tão boa como as imagens mostram, e de facto é.
Final Fantasy XIII é sem dúvida um dos jogos com melhor componente visual desta geração, e tudo isto sem se desviar do seu estilo tipicamente anime ou oriental. À medida que vão jogando, é impossível não ficarem deslumbrados com o detalhe que foi colocado em cada uma das personagens e cenários que vão visitando. Quase tudo respira a fantasia e sítios de um outro mundo, e é isso mesmo que se espera de um membro da série
Final Fantasy. As personagens são do mais expressivo que se pode ver e os seus modelos estão tão trabalhados que é possível ver as imperfeições na pele e as linhas que compõem as roupas das personagens, e tudo isto no motor in-game, pois quando entram as cinemáticas, então
Final Fantasy XIII consegue igualar ou superar muito do que se consegue ver no cinema em termos de animação. Realmente assombroso.
O trabalho sonoro não fica de forma alguma atrás do visual, com uma banda sonora fabulosa e notoriamente bem trabalhada, que mostra que
Final Fantasy XIII consegue viver sem
Nobuo Uematsu. As vozes foram todas muito bem escolhidas e estão nos sítios certos, ajudadas
com a já revelada sincronização labial. É bom ver que em termos sonoros não há queixas a fazer de um
RPG oriental, o que é de louvar, tendo em conta outros
RPG do género que ainda tendem em aparecer.
No que toca a tempo de jogo e conteúdo para explorar, podem contar com pelo menos 50 horas de jogo, onde vão passar pelo menos as primeiras 15/20 a ser parcialmente guiados pelos cenários até ao objectivo. Isto não é mau de todo e ajuda a perceber bem a jogabilidade e a história, mas é pena a liberdade de exploração não arrancar umas horas mais cedo, pois com 10 horas de jogo já toda a gente percebeu como se joga
Final Fantasy XIII.
Outro pormenor que me agradou imenso foi a presença de uma breve explicação do estado da narrativa após um loading de jogo. Ideal para ajudar a voltar à história após algum tempo sem jogar.
Por esta altura já devem ter visto a nota final e já perceberam que
Final Fantasy XIII é efectivamente mais um bom Final Fantasy como era de esperar, mas não está isento de erros ou problemas. A começar pelo modelo das mãos, que parecem estranhamente quadradas quando comparadas com todo o detalhe da personagem, havendo também alturas em
que as armas parecem ter menos impacto do que seria de esperar, não correspondendo ao que seria um impacto real; por fim, as plataformas que as personagens costumam saltar dão lugar a animações deveras estranhas, que mereciam mais polimento.
Mas estes pequenos pormenores são quase ínfimos quando comparados com tudo o que
Final Fantasy XIII oferece aos jogadores. Alguns podem olhar para este jogo como mais um
RPG oriental, ultrapassado face às actuais propostas de mercado oferecidas por
RPG ocidentais. Mas a verdade é que
Final Fantasy XIII faz parte de um género próprio dentro dos muitos estilos de
RPG e traz de volta o estilo ocidental pelo qual milhares de jogadores ficaram obcecados ao longo dos anos. Este é daqueles jogos que procurou evoluir a sua série mesmo sem perder as suas origens, com heróis de cabelo espetado e combates por turnos, e desta forma manter, sem dúvida, a sua identidade.
Se são fãs da série
Final Fantasy, então não devem deixar escapar
Final Fantasy XIII; se nunca experimentaram nenhum dos episódios anteriores e são daqueles que conseguem diferenciar os diferentes géneros dentro dos
RPG, sem estarem sempre a comparar com outros que tentam ser muito mais realistas, como é o caso de
Mass Effect 2, então embarquem nesta viagem por
Pulse sem pensar duas vezes.
Final Fantasy XIII é, em todos os aspectos, mais um colosso dos videojogos.
Podem ver mais sobre
Final Fantasy XIII e outras referências desta análise nos links seguintes:
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Tutorial de combate - Final Fantasy XIIIAnálise - Mass Effect 2Análise - Final Fantasy XII