Ano após ano, independentemente dos níveis de saturação do mercado no que toca a jogos de condução, a Codemasters vai colocando novas opções cá fora. Depois de DiRT, chegou a hora de GRID ver a luz do dia, um sucessor espiritual da série TOCA, que acaba por herdar a insígnia de Race Driver.
Tal como os seus antecessores, GRID apresenta-se com um pé dentro da simulação e outro dentro da diversão, criando uma mescla bastante agradável. O conjunto de modos de jogo à escolha percorre muito do caminho da série TOCA até aos dias de hoje, nunca pondo de parte o desafio em prol do facilitismo. O modo GRID World promete chamar a atenção a todos os fãs da série TOCA. Colocando-nos na pele de um jovem piloto, este título atira-nos para o asfalto onde se desenrolam várias provas até que consigamos amealhar dinheiro e reputação suficiente para montarmos a nossa própria equipa. Entre a aquisição de novos veículos, pilotos e patrocínios, é todo um impecável jogo de condução que se abre nas nossas mãos, com mais pistas e desafios progressivamente mais duros de roer.
De resto, é de pouca importância o modo de jogo onde decidem pôr as vossas capacidades à prova. Online ou a solo, GRID oferece corridas de índole dramática, seja nos GT, F1, Le Mans, Destruction Derby, Import Tuner, recompensando-nos sempre com uma boa dose de adrenalina. Uma das novidades deste Race Driver encontra-se no sistema de repetições, que já não serve apenas para ver a nossa prova. Agora, mas de forma limitada, é possível "puxar a fita atrás" e repetir alguns metros da corrida, evitando assim aquele acidente que nos arrancou a roda do eixo, por exemplo. No entanto, se o fizerem, serão penalizados na avaliação global, recebendo menos dinheiro e reputação.
GRID oferece cerca de meia centena de veículos divididos em várias classes motorizadas. Existem três regiões à espera das vossas habilidades ao volante, todas elas encerrando classes características. Por exemplo, nos USA terão os típicos Muscle Cars, enquanto na Europa a F1 é rainha, tal como os Import Tuner no Japão. Progredir dentro destas três regiões promete dar muito que fazer, pois cada classe representa uma jogabilidade característica e um regresso à estaca zero da aprendizagem de GRID. Desde circuitos fechados a circuitos citadinos, montanhosos ou urbanos, cada desafio consegue retirar todo o sumo emocional e oferecer os obstáculos que cada classe representa.
Há dois aspectos primorosos em GRID que ajudam a descarnar todo o seu potencial. O visual next-gen, apesar de bem conseguido, não seria nada sem o excelente sistema de danos. Este, mesmo não tendo um grafismo soberbo, apoia-se numa física de eleição para enriquecer de realismo cada toque, cada passagem por cima de detritos e, em último caso, cada choque violento. F1s que perdem as asas traseiras, portas que saltam, pára-choques que caem, capots que voam, tudo isto afectando o controlo do próprio veículo a cada erro de condução. E GRID tem muitos para oferecer. A Inteligência Artificial está espectacular, reagindo entre si e não apenas aos movimentos do jogador. Veremos os líderes serem atacados pela concorrência, pilotos a calcularem mal uma ultrapassagem numa curva ou a distância de travagem para o adversário directo, piões e despistes com fartura, transparecendo o clima natural das corridas, onde a norma é "todos contra todos" e não todos contra o jogador.
Uma apresentação tecnicamente muito sólida, com particular enfoque na versão PC, vai marcar toda a vossa experiência em GRID. A própria câmara de jogo está soberbamente instalada, mesmo a jeito para observarem algumas das belas máquinas do jogo, como o Nissan Skyline GT-R Z-Tune, o BMW 320 SI, o Audi R10 TDi, o Mazda 787B ou o Aston Martin DB9. O som é uma grande parte da experiência de GRID. O incansável diálogo da nossa manager, olheiro e companheiro de equipa, imerge-nos no ambiente típico das corridas. No início do jogo podemos mesmo definir uma alcunha para nos chamarem, tornando as conversações mais pessoais. O ronronar particular de cada motor e os sons da pista completam esta ementa sonora que, infelizmente, acaba por enjoar a médio prazo. Isto porque os diálogos começam a repetir-se até à exaustão e cedo se percebe que a sua utilidade é muito relativa, pois nem sempre acompanham os eventos da corrida com precisão. Inconsistentes e massacrantes, acabam por ser o ponto mais negativo de GRID.
Sejam quais forem os vossos gostos de condução, desde o realismo extremo de GTR à diversão total de TrackMania, não faltam opções no mercado. No entanto, é impossível não recomendar este GRID, por toda a adrenalina que desperta quer a solo, quer online, fruto de corridas impiedosas e desenhadas com a mestria de quem anda nestas lides há muitos anos.

Inteligência Artificial dos pilotos

Adrenalina das corridas

O modo GRID World

Diálogos tornam-se irritantes e são inconsistentes