Numa época em que a
SOPA e a
PIPA trouxeram à tona todos os nossos receios quanto a uma possível – e ridícula – medida de
censura na Internet (pomposamente rotulada de medida contra a
pirataria), algumas pessoas começaram a fazer “contas” às coisas que poderiam perder. Entre a vasta lista de indústrias que ficariam afectadas com as leis supostamente criadas para bem da sua sustentabilidade está, claro está, a dos
videojogos.
Outrora criados para um nicho de população, os videojogos foram a pouco e pouco ganhando terreno até se tornarem no ramo do entretenimento que mais lucro gera nos dias que correm. Claro que tudo isto não aconteceu por obra do acaso: esta foi a indústria que mais se adaptou ao conceito de
globalização e procurou constantemente formas de aumentar a
interactividade entre jogadores de todo o mundo, sendo que o modo cooperativo local foi paulatinamente “substituído” (em termos de preferência) por um modo competitivo à escala global.
A população
gamer evoluiu de uma forma impressionante e a necessidade de partilhar experiências com terceiros também. Para esse efeito, o
Youtube surgiu como a solução ideal. Desde 2005 que o famoso site de partilha de vídeos tem funcionado como ferramenta de excelência para visualização de
trailers e outros conteúdos apresentados pelas companhias que detêm os direitos sobre um determinado jogo. Às companhias juntaram-se alguns sites de jornalismo da especialidade com
vídeo-análises,
walkthroughs ou
machinima, como é o caso da incontornável
Red vs. Blue, divertida série dos
Rooster Teeth que recorre a sequências de
gameplay da franquia
Halo. Por fim, inspirados em tudo isto, surgiram os jogadores comuns para mostrar as suas habilidades em diversos
first-person shooters, género que ainda nos dias de hoje domina – juntamente com
Minecraft – o panorama videojogável na rede social.
Originalmente com uma qualidade de vídeo baixa, muito por culpa das opções de carregamento do próprio
Youtube, os excertos de
gameplay consistiam em meros momentos de exaltação dos feitos pessoais acompanhados de uma música (talvez pirateada, talvez não) que encaixasse nos acontecimentos que nem uma peça de um puzzle. Daí até aos
vídeos comentados foi um pequeno passo. Pessoas de todo o mundo começaram a utilizar o seu
parlapier como método para angariação de visualizações e, acima de tudo, seguidores. Claro que nem todos demonstravam o mesmo nível de persuasão, umas vezes por culpa da utilização de uma
língua universal – a inglesa – ao invés da língua materna, outras porque pura e simplesmente não adicionavam nada à experiência e, em grande parte dos casos, por utilização excessiva de alhos e bugalhos (se é que me faço entender). Porém, isso também estaria prestes a mudar, pelo menos nos países de língua portuguesa.
O
Brasil foi pioneiro nesse processo de criação de conteúdos na língua de
Camões. Baseando-se nos vídeos carregados pelos
gringos – como a maioria gosta de chamar aos estrangeiros – os brasileiros arriscaram na utilização da sua
língua materna e o resultado foi bombástico.
Call of Duty,
Battlefield ou
Minecraft estão no topo da lista de preferências dos nossos compinchas e muitos dos
Youtubers que investem grande parte do seu tempo e dinheiro nesses títulos acabam recompensados. Como grandes exemplos disso mesmo temos
GuilhermeGamer,
Randonsplays,
Coisa de Nerd (Leon) ou
BRKsEDU, todos eles parceiros da
Machinima e num patamar onde se conseguem sustentar financeiramente, ou viver do canal, por culpa da qualidade e quantidade de conteúdos que produzem. Chegaram com mérito e dedicação onde muitos ambicionam chegar um dia.
Embora tenha demorado um pouco, essa moda de comentar em português começou a dar um ar de sua graça em
Portugal no início do ano passado. Algumas pessoas já o faziam, é certo, mas a onda de sucesso que atingiu a
América Latina alastrou-se até ao nosso recanto da
Península Ibérica e fez com que os jogadores ganhassem um novo interesse na divulgação das suas jogatanas.
Feromonas,
MrNikkiHD,
ZoaWar e
Machadozz são apenas alguns exemplos de
Youtubers “tugas” que, falando a língua do seu país, já conseguiram atingir o público do outro lado do mundo. Claro que existem outros com enorme qualidade e potencial, mas infelizmente o sol não brilha para todos.
Grande parte dos jogadores tem o
PC como plataforma de referência para a elaboração dos seus vídeos, precisando “apenas” de uma máquina potente para correr os títulos mais exigentes do mercado. Já outros, como é o meu caso, precisam de fazer um investimento considerável num HD PVR ou aparelho semelhante para conseguir partilhar os conteúdos de plataformas como a
PS3 ou a
XBOX 360 na melhor qualidade possível, pois o público é também ele exigente nesse aspecto.
Existe muita gente (e a
SOPA é um exemplo disso mesmo) que olha com algum desdém para os
gamers que utilizam os mais diversos jogos desta forma para tentar ter sucesso na
world wide web e, quem sabe, ganhar dinheiro com isso. Até algumas produtoras torcem o nariz a essa situação. Mas, a meu ver, não será esta hoje em dia a melhor forma de fazer
publicidade –e gratuitamente - a um jogo? Não será que interesse pelo mesmo aumenta e que, por consequência, o número de vendas também?
Mais do que um site de videojogos que coloca diariamente as suas análises e notícias sobre um determinado produto, estes novos
formadores de opinião detêm uma influência impressionante junto do grande público. São “profissionais” por conta própria, fazem o que lhes dá gozo da forma mais criativa possível, divertem-se ao fazê-lo e contagiam as restantes pessoas que os visionam os seus conteúdos. Aqui, mais do que em qualquer outro meio, a
liberdade é palavra de ordem. Se alguma vez pensaram em produzir os vossos próprios conteúdos, têm mais do que nunca uma boa oportunidade para o fazer. Arrisquem, não têm nada a perder.
O
remédio que aconselho para esta semana é:
Partilhar – Sei que muitos dos membros da nossa comunidade têm um canal do
Youtube onde colocam com frequência, não só vídeos de
gameplay, como também
AMVs e outros conteúdos de grande qualidade. Não pensem que estou desatento, porque não estou! Como tal, gostaria que todos aqueles que querem dar a conhecer os seus projectos coloquem as ligações na
zona de comentários desta rubrica e indiquem aquilo que podemos encontrar. Se conhecerem alguém digno de reconhecimento ou se estiverem a ponderar a criação de um canal para o efeito, partilhem também. Queremos que a “família”
MyGames demonstre o seu valor em massa.
Para dar o exemplo – ou para vender o meu peixe, depende da interpretação – vou deixar aqui um dos meus vídeos mais recentes:
Agora é a vossa vez. Aproveitem esta oportunidade para mostrar que, tal como eu refiro vezes sem conta, “
Gaming is the Remedy”.