Longe vão os tempos em que os jogos de plataformas eram jogados no bom e prático
2D. Estes eram os tempos em que só fazia maus jogos de plataformas quem queria, tendo surgido assim clássicos intemporais, e mascotes lendárias como o
Super Mario,
Sonic,
Earthworm Jim,
Sparkster,
Alex Kid, entre outros.
Anos depois, surgiu o
3D e as coisas ficaram mais difíceis e imprecisas, clássicos perderam o seu rumo, como foi o caso do
Sonic, enquanto que para outros, como o
Crash Bandicoot,
Jak e Daxter ou
Ratchet and Clank, só faz sentido jogar jogos de plataformas assim.
Mas depois de
Portal ter cruzado com mestria o mundo das plataformas com
Puzzle, tudo seria de esperar do mundo dos videojogos, como tal, não é de estranhar que
Crush3D venham aproveitar o melhor de dois mundos.
Crush3D é o segundo jogo da série, onde os mundos
2D e
3D colidem (literalmente) para criar um jogo de
plataformas e puzzles pouco comum e bastante diferente do que se pode encontrar no mercado.
Crush3D não é propriamente um
IP novo, mas sim o segundo jogo que serve como um remake do original lançado para a
PSP em 2007.
Aqui controlam
Danny, um rapaz aparentemente normal que faz uma grande amizade com um cientista que tem tanto de genial como de desequilibrado.
Através de uma das experiências feitas com o seu subconsciente,
Danny vê-se preso dentro do
C.R.U.S.H. e a única forma de libertar a sua mente é feita ao recuperar memórias e berlindes especiais.
Para um jogador que já tenha alguns "anos de casa" esta premissa não aponta para nada de revolucionário, mas apesar da temática de
Crush3D oferecer um ambiente algo tresloucado,
a verdade é que o seu ponto alto é realmente a dita jogabilidade que mistura as plataformas em
2D à moda antiga com o
3D e o mais importante, os
Puzzles, que são o âmago deste jogo.
Como é que isto funciona? É fácil perceber, mas difícil de explicar. Quando começam um nível,
Danny vai estar numa zona totalmente tridimensional com várias plataformas, sendo que uma destas tem um terminal de saída.
O objectivo passa por levar
Danny até à saída resolvendo o puzzle do cenário.
É aqui que entra a habilidade para fazer
Crush, ou seja, mudar a perspectiva do cenário entre o
2D e
3D sempre que quiserem.
Imaginem que estão numa plataforma e a seguinte está bem acima da vossa cabeça, ao mudar o ângulo da câmara e dando uso ao
Crush, podem fazer com que a plataforma superior fique ao nível da inferior em perspectiva, tornando possível passar entre ambas como fosse uma só plataforma. Mas há mais.
No que toca à profundidade, podem usar o
Crush para transformar uma plataforma distante numa escada para subir numa perspectiva
2D, e caso usem o
3D novamente, podem voltar ao plano normal para descobrir um novo caminho na plataforma que estava distante.
Claro que
Crush3D não teria a mesma piada se não existissem obstáculos, e como seria de esperar, eles aparecem de formas variadas, seja através de inimigos que vão aparecendo, ou até mesmo do próprio cenário.
Por exemplo, blocos compostos de contraplacado branco podem ser transpostos (andar em frente deles), enquanto blocos de tijolo não podem ser atravessados em
2D e impedem que
Danny possa passar do plano
3D para o
2D.
Mas o maior inimigo em
Crush3D é sem dúvida alguma a sua dificuldade. Embora não seja impossível, os puzzles começam a ficar cada vez mais difíceis, e com algumas horas de jogo vão começar a ficar presos constantemente. Por muito simples e óbvio que o objectivo seja, a complexidade e opções são tão vastas que nem sempre vão conseguir perceber o encadeamento lógico do que é proposto.
A nível visual, embora não seja um jogo feio,
Crush3D acaba por sofrer um pouco da sua própria temática, tendo cenários vazios ao estilo da programação em
3D à antiga. Claro que os cenários algo psicadélicos acabam por ajudar a criar algum ambiente, mas nada que seja por realmente digno de outros jogos mais impressionantes.
Tudo levava a crer que
Crush3D ia ser um dos jogos a aproveitar bem o
3D da consola, mas a relidade é que não precisam efectivamente do mesmo para jogar ou perceber melhor o nível, sendo apenas uma forma de tornar o jogo mais bonito.
A música, por outro lado não está muito longe de serem apenas sons estranhos... resumidamente, todo o jogo parece ter sido retirado directamente da cabeça de alguém que andou a fumar algo ilegal.
É também notório que a passagem da
PSP para a
Nintendo 3DS alterou o desenho das personagens, que parecem mais próximas dos desenhos animados computorizados feitos actualmente para os mais novos.
Crush3D é um jogo bastante longo, com inúmeros puzzles, memórias para recolher e troféus para apanhar, mas é graças à sua dificuldade e complexidade que vão ga
star mais tempo, do que a resolver Puzzles novos puzzles.
Crush3D não é um
Portal, um
Professor Layton, nem um
Super Mario. É algo que acaba por ficar entre estes, embora apresente muito menos qualidade como produto final. Se tivesse aparecido antes de
Pullblox,
Crush3D era capaz de ganhar mais uns pontos e firmar um lugar mais forte entre os jogos de puzzle da
Nintendo 3DS. Assim como está, é apenas mais um bom jogo a adicionar ao catálogo, caso sejam fãs de um bom Quebra-cabeças.