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Resident Evil: Revelations
30/01/2012 criado por Daniel Silvestre
Resident Evil Revelations
Já lá vão alguns anos desde que Resident Evil começou a assustar os fãs de jogos de terror e todos aqueles que eram apanhados desprevenidos.
O sucesso era inevitável e isso deu liberdade para que a Capcom continuasse a criar mais episódios para a série.

Mas o terror não é algo fácil de fazer, e muito menos se pensarmos em jogar num ambiente bem iluminado ou fora de casa. A Capcom não acreditou nisso e ao longo do tempo foi trazendo alguns jogos da saga até às consolas portáteis, embora com pouco sucesso.

Porém, a boa relação criada com a Nintendo após Resident Evil 4 fez com que a Nintendo 3DS fosse vista como uma boa aposta para que a Capcom voltasse a arriscar mais uma vez nas portáteis. Depois de Resident Evil Mercenaries 3D ter servido um pouco como test

e, chega agora Resident Evil Revelations, com a promessa de trazer o terror à Nintendo 3DS juntando os bons momentos do passado da série com o que se fez de bom até hoje.

Para começar, caso sejam fãs da saga, é essencial saber que Resident Evil Revelations não é apenas um spin-off da série, mas sim uma peça de história fundamental que liga alguns dos acontecimentos que tem lugar entre os primeiros jogos e essencialmente, o que se passou antes de Resident Evil 5.

Tal como seria de esperar, as ameaças biológicas continuam a ser o tema quente do dia e desta vez, as ramificações são maiores do que no passado.
Para variar, a Umbrela ganha um pouco de descanso para dar a ribalta à Veltro, uma organização terrorista na posse de uma mutação do Vírus.
Isto faz com que a BSAA volte ao terreno para descobrir mais uma conspiração e levar os jogadores a conhecer mais algumas organizações que operam nas sombras contra o terrorismo biológico, embora que recorram a técnicas e agendas distintas.

Resident Evil Revelations volta a dar destaque a Jill e Chris, ambos separados e em zonas diferentes no início da aventura. Enquanto Chris está encarregue de descobrir o paradeiro do vírus, Jill é destacada para procurar pelo seu colega, que desapareceu algures no mediterrâneo. A busca leva até a um barco fantasma conhecido como Queen Zenobia, um antigo cruzeiro de luxo, agora à deriva no mar.

Embora a história esteja centrada em redor da aventura de Jill e o seu colega Parker Luciani a bordo do cruzeiro, não vão ser raras as vezes em que vão visitar outros ambientes em alturas diferentes. Desde a passagem para a viagem de Chris e a sua colega Jessica Sherawat (antiga colega de Parker) numa zona gelada do globo, até à fuga de Parker e Jessica de Terragligia.

A passagem entre várias zonas, além de trazer mais variedade ao ambiente do jogo, acaba por conferir algumas sequências que ajudam a descomprimir do ambiente fechado e pesado do Zenobia, havendo muito mais acção e luz.
Após estes intervalos a aventura regressa ao barco e o espírito do Resident Evil clássico volta a entrar em acção.
Resident Evil Revelations é jogado da mesma forma que os Resident Evil mais recentes, ou seja, a câmara acompanha a personagem pelas costas ao estilo de um TPS. A personagem pode apontar com uma perspectiva entre a terceira pessoa e agora, também na primeira pessoa, o que permite apontar com maior precisão.

De regresso estão todos os movimentos do passado, como o atacar com facas a curto alcance, a possibilidade de dar murros ou pontapés aos inimigos atordoados e a utilização de outras armas, como granadas ou as novas BOW, bombas que atraem os infectados antes de explodir.

Mas a maior introdução é mesmo o Genesis, um scanner com o qual podem investigar o cenário e os inimigos, sendo possível descobrir objectos valiosos no cenário, ou retirar amostras dos inimigos abatidos para criar novos suplementos de vida (as típicas ervas).

Embora a jogabilidade na Nintendo 3DS esteja bem-feita e aplicada, tal como sucedeu com Resident Evil Mercenaries 3D, a Nintendo resolveu que esta era a altura ideal para incluir o acessório Circle Pad, o qual permite jogar com mais um analógico e dois gatilhos adicionais. A verdade é que embora seja algo desconfortável a início e a jogabilidade não seja nada má sem o acessório, com o Circle Pad a jogabilidade fica muito mais simples e ao estilo das consolas caseiras, o que é uma mais-valia, pena mesmo é o facto de a consola perder o contacto com o Circle Pad sempre que fecham a tampa da consola, o que requer uma nova conexão no menu.

Mesmo que seja um Resident Evil, mais uma vez, a Capcom decidiu deixar os Zombies típicos para trás e oferecer um novo estilo de Zombie. Embora combatam contra cães mutados e os mesmos seres verdes do Resident Evil original, o destaque vai para as aberrações que agora habitam o Zenobia. Estas criaturas ao estilo dos seres de Silent Hill são muito provavelmente alguns dos inimigos mais complicados de alvejar até hoje num dos jogos da saga, pois ao caminhar,  o seu corpo balança de um lado para o outro. Este pormenor vem alterar um pouco a jogabilidade e criar alguns momentos de tensão, mas se isto resulta bem ao longo do jogo, existe uma altura onde a frustração atinge pontos elevados.

Esses momentos são os combates contra os Bosses. Não querendo estragar nenhum deles, vou apenas falar do primeiro boss a sério, este surge de forma algo inesperada, numa das zonas do navio e tenta matar-nos a todo o custo correndo atrás de nós. Este é um bom desafio pois o Boss é uma autêntica esponja e requer vários tiros e explosões até que morra. Mas na verdade este colosso acaba por ser o menor dos vossos problemas, pois a Capcom resolveu que seria interessante soltar exércitos de inimigos quando encontram um Boss, inimigos que devem evitar de forma a poupar balas. Como devem imaginar isto acaba por se tornar numa missão “quase impossível”, pois combater contra um bicho tão forte enquanto se preocupam com mais de dez zombies que vos perseguem é simplesmente injusto.

Felizmente, desta vez a tarefa vai estar algo mais acessível, pois embora viagem com um colega em grande parte dos casos, este acaba por ser mais ajuda do que uma dor de cabeça como foi Sheeva em Resident Evil 5. Não só não precisam de o curar ou partilhar balas como estes passam a vida a disparar, o que é bom para ajudar a despachar alguns inimigos.

Em termos de arrumação e progressão, Resident Evil Revelations dá um bom uso ao ecrã táctil da Nintendo 3DS, sendo possível alterar a arma ou escolher outros objectos através deste menu. É também neste ecrã que é apresentado o mapa e podem ver o esquema do navio, algo ideal para quando estão perdidos.
Quando chegam ao fim da aventura (ou até antes de terminar) vão poder descarregar toda a vossa ira no modo Raid.
O Raid Mode é a resposta da Capcom à ausência de modo um Co-op ou competitivo em Resident Evil Revelations. Neste jogam vários segmentos da aventura ao vosso gosto com o objectivo de chegar ao fim com a melhor pontuação possível.

O mais interessante do modo Raid é a sua influência retirada dos RPG. Cada vez que concluem uma missão ganham experiência e esta evolui a vossa personagem de nível. Quanto maior for o vosso nível, mais e melhores armas vão conseguir utilizar e assim vão conseguir resistir melhor aos níveis seguintes.
É possível personalizar as armas com modificações especiais que oferecem novas características e habilidades, estas modificações e até armas novas podem ser compradas na loja do jogo usando pontos de combate ou as moedas de jogo que tenham acumulado na vossa consola.

Melhor ainda é partilhar o modo Raid com outra pessoa, seja um amigo ou um desconhecido que encontrem na internet, as partidas que fiz decorreram sem lag ou grandes problemas de fluidez, sendo que a única falha passa pelo facto de não existir forma de comunicar com os outros jogadores, ou de partilhar os cenários por Game Share.

Se há coisa da qual Resident Evil Revelations se pode gabar, é do seu visual e grafismo. Apesar de não ser um jogo com muita luz que destaque os pormenores dos cenários, este é sem dúvida alguma um dos jogos mais impressionantes da Nintendo 3DS, fazendo lembrar a espaços o início da actual geração de consolas, o que é um feito impressionante. Não só os modelos das personagens estão muito bem construídos como os cenários estão cheios de sombras, jogos de luz e pormenores bastante bons.
O arrastamento em distância visto em Resident Evil Mercenaries 3D também desapareceu aqui e só se nota algum Lag quando estão a mudar de área com o uso dos elevadores ou “portas especiais".
Em termos de direcção artística,
A Capcom escreveu uma carta aos seus fãs, recriando no Queen Zenobia alguns cenários que fazem lembrar a Mansão de Arkley do primeiro jogo, o que é um extra bastante bom.

O som por seu lado também está muito bom, dando uma ambiência perturbadora ao mundo de Resident Evil Revelations. As vozes também não estão más (salvo uma ou outra) e servem bem o seu propósito. Só é pena as personagens não abrirem a boca para falar em certas situações.
De qualquer forma, se são fãs de jogos de terror e gostam de se assustar, então liguem uns phones à Nintendo 3DS e preparem-se para sentir uns bons calafrios.

Embora seja um jogo exemplar, Resident Evil Revelations não está isento de alguns problemas que vão incomodar aos mais perfeccionistas. Além dos slowdows nas transições e alguns combates injustos contra certos bosses. Este é mais um daqueles jogos que sofre bastante de backtracking, obrigando a regressar às mesmas zonas de forma repetida apenas por faltar uma chave para abrir porta X ou uma alavanca para o alçapão Y. A história também acaba mais depressa do que seria de desejar, mas puxar mais pela aventura ia acabar por tornar a experiência algo aborrecida para alguns.

Resumindo, Resident Evil Revelations é um excelente jogo por mérito próprio. É verdade que está muito mais ao gosto dos fãs recentes (como eu), mas também consegue trazer alguns momentos chave e ambiência ao estilo dos anteriores.
Se forem fãs da saga, não devem perder este jogo. Caso nunca tenham jogado um Resident Evil e estejam preparados para um jogo de aventura com um ambiente pesado, então esta é das melhores apostas que podem encontrar na Nintendo 3DS.

95

86

89

80

90
88
Muito Bom

 

Uma verdadeira experiência Resident Evil numa portátil
Boa mistura entre acção actual e o estilo clássico
História segmentada oferece mais variedade
Excelente visual e som digno de jogar com phones
Modo Raid ajuda a compensar pela falta de co-op ou multijogador competitivo
Introdução do Circle Pad não correu mal
Certos slowdowns assombram a aventura
Vão ter de passar pelos mesmos corredores vezes sem conta
Certos combates com bosses são injustos
Raid mode não é mais do que jogar nos cenários da campanha novamente
Uma pena a ausência de co-op para a campanha
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13 COMENTÁRIOS

The Lord of Games
04-02-2012 21:33:30
Grande jogo!mas melhor sera o resident evil 6!
MudMouth
01-02-2012 21:05:36
carbalhu, pensei o mesmo... Parece que só conhecem Resident Evil desde o 4, o que não é mal nenhum, mas só o 4 e o 5 é que é sempre a andar em frente...
Quanto à análise, gostei muito. E pelo que vi até agora é obrigatório numa 3DS... Só não compro já porque tenho alguns jogos PS3 em lista de espera.
carbalhu
01-02-2012 20:31:31
"Vão ter de passar pelos mesmos corredores vezes sem conta"
"Boa mistura entre acção actual e o estilo clássico"
e o classico e o que?
da sensacao que nao jogaram o tao dito classico.
69killer
01-02-2012 19:04:04
@zezelio

true story
Dp.soares
01-02-2012 2:46:12
Prefiro a PsVita, mas não me importava de ter uma 3ds para jogar este jogo
zezelio
01-02-2012 1:21:23
Este sim é que podia vir para o PC.

Enfim, resta esperar pelo inevitável emulador. :P
Tidus31
31-01-2012 21:02:13
A jill é gira e deadly...lol
Disturbed
31-01-2012 20:51:30
" - Raid mode não é mais do que jogar nos cenários da campanha novamente
- Uma pena a ausência de co-op para a campanha"

Mas se o Raid Mode é o singleplayer praticamente igual (que a meu ver é um ponto contra, sem dúvida) e este permite jogar a 1-2 jogadores até mesmo online será que não é praticamente um modo co-op? Parece-me uma pequena contradição, eu sei isto por experiencia propria.
Em relação ao backtracking é mais uma vez um regresso aos resident evil do passado, hoje em dia ninguém gosta de voltar a passar por onde já foi mas muitos jogos de calibre (Metroid, Castlevanias ao estilo do Symphony of the Night, etc.) têm uma dose de backtracking que não faz mal a ninguém.

Para mim um 90 era mais redondo para um jogo deste calibre, está muito melhor que o RE5 que se focou demasiado em elementos de acção.
LFO
31-01-2012 14:54:05
Se tivesse uma 3DS este teria-a-lo de certeza!!! :D
Tidus31
31-01-2012 14:38:29
Nem que seja para ver a heroína em 3D :)
_abff_
31-01-2012 11:01:33
estes gráficos são mesmo bons, para quem duvida das capacidades gráficas da 3DS, deviam ver estes!
Arez
31-01-2012 2:33:03
N me diz nada esta consola, a PS Vita sim vai valer a pena cada cêntimo gasto nele ;)
Tidus31
30-01-2012 23:45:53
mais zombies, lolo
DADOS
Editora: Capcom
Criadora: Capcom
Distribuidora: Ecofilmes
Género:Acção
Data de Lançamento: 27/01/2012
Outras versões:
NOTAS

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Muito Bom

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